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Especialistas analisam desdobramentos do ataque dos EUA à Venezuela


O presidente Donald Trump divulgou uma foto de Nicolás Maduro numa rede social com a legenda de que presidente da Venezuela está a bordo do navio Iwo Jima. Na imagem, Maduro parece estar algemado, tem um fone cobrindo os ouvidos e uma venda nos olhos. Ele veste moletom cinza e segura uma garrafa de água. 

Rodolfo Laterza, especialista em Geopolítica, Segurança e Conflitos, comenta o que a prisão de um chefe de estado representa.

“A prisão de um chefe de Estado exposto como troféu gera um precedente gravíssimo de desestabilização das relações internacionais e de respeito entre os países em não atacar diretamente suas lideranças representantes governamentais. Infelizmente, esse cenário poderá desencadear novas instabilidades na América Latina e no mundo.” 

Para a professora de Relações Internacionais da Universidade Federal de Santa Catarina, Camila Vidal, o ataque dos Estados Unidos é uma prova de que o país de Donald Trump é um império em decadência. 

“A curto prazo, pelo menos para mostrar para sua base que os Estados Unidos continua forte, que as suas forças são as melhores do mundo, como o Trump falou agora na entrevista que deu, a longo prazo só vai evidenciando ainda mais a perda do seu domínio na região”.

Na coletiva de imprensa, Donald Trump disse que deixará a Venezuela sob o controle dos Estados Unidos e que a operação não terá nenhum custo porque o país seria reembolsado com o dinheiro que sai do solo – em referência às reservas de petróleo da Venezuela. Para o professor de Relações Internacionais da Universidade Federal de Roraima, João Carlos Jarochinski Silva, o controle da Venezuela pelo país norte-americano pode representar um risco, inclusive para os Estados Unidos

“Pode significar até um fortalecimento, uma retomada do próprio chavismo, que é a capacidade de resistência que eventualmente o chavismo pode apresentar. E isso traz consequências. Por exemplo, ataques, instabilidade interna”.

O professor de Relações Internacionais da Universidade Federal do ABC, Igor Fuser, aponta o paralelo entre a ação de Donald Trump na Venezuela e a invasão da Rússia na Ucrânia que, à época, teve rápida reação da comunidade internacional – incluindo os Estados Unidos – sobre a violação da soberania nacional. 

“Essa violência, o bombardeio, depois o sequestro do presidente Nicolás Maduro e da sua esposa, isso é um crime perante o direito internacional. Um país soberano que foi atacado militarmente sem que tivesse cometido nenhuma provocação, nenhuma agressão prévia,  nada que desse ao presidente Trump o direito de cometer essa ação militar violenta contra a Venezuela.”

Na avaliação dos especialistas, a postura de Donald Trump ignora a condição soberana da Venezuela. 
 




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