Para Lucas Congo, planejamento, estrutura e inteligência tributária são decisivos para resultados no comércio exterior
O debate sobre competitividade internacional voltou ao centro das discussões econômicas brasileiras em 2026. Embora o país tenha avançado em indicadores específicos de transformação digital e inovação, especialistas apontam que a perda de competitividade das empresas brasileiras no cenário global continua sendo impactada não apenas pelo chamado “Custo Brasil”, mas também por falhas estratégicas internas que limitam crescimento, eficiência e capacidade de expansão internacional.
Dados recentes mostram que o Brasil apresentou melhora em rankings ligados à competitividade digital e inovação empresarial, enquanto setores industriais ampliaram projeções de investimento em pesquisa, desenvolvimento e modernização tecnológica. Ainda assim, gargalos históricos relacionados à produtividade, estrutura operacional e complexidade tributária seguem afetando diretamente o desempenho das empresas brasileiras no comércio exterior.
Para Lucas Congo, existe uma percepção equivocada de que a baixa competitividade brasileira está associada exclusivamente a fatores macroeconômicos.
“Muitas empresas ainda atribuem todos os problemas ao ambiente externo, quando na prática grande parte da perda de competitividade está ligada à ausência de planejamento estratégico, inteligência tributária e estrutura operacional preparada para competir globalmente”, afirma.
Segundo ele, empresas que operam no mercado internacional de forma reativa acabam ficando mais vulneráveis a oscilações cambiais, mudanças regulatórias e transformações nas cadeias globais de suprimentos.
O tripé que define competitividade internacional
Na avaliação de Lucas Congo, três pilares são decisivos para empresas que desejam construir operações internacionais sustentáveis: planejamento estratégico, estrutura organizacional e inteligência tributária.
O primeiro ponto envolve a capacidade da empresa de atuar internacionalmente de forma estruturada e não apenas oportunista.
“Muitas empresas brasileiras ainda utilizam o comércio exterior apenas para escoar excedentes do mercado interno. Competitividade global exige construção de marca, adaptação técnica, presença estratégica e visão de longo prazo”, explica.
O segundo fator está ligado à estrutura operacional. Segundo o especialista, empresas que investem em eficiência baseada em dados, integração operacional e verticalização inteligente conseguem responder com maior velocidade às mudanças de demanda internacional e reduzir impactos logísticos.
Já a inteligência tributária aparece como um dos pontos mais negligenciados pelas empresas brasileiras.
“O problema do Brasil não é apenas pagar muitos impostos. O problema é que boa parte das empresas não utiliza corretamente os mecanismos legais disponíveis para reduzir custos e aumentar competitividade”, afirma Lucas Congo.
De acordo com especialistas do setor, regimes especiais e estratégias tributárias podem reduzir custos operacionais no comércio exterior em até 40%, mas ainda permanecem subutilizados por grande parte das empresas brasileiras.
Complexidade tributária segue como barreira
A complexidade regulatória brasileira continua sendo um dos principais obstáculos para operações internacionais mais eficientes.
Empresas brasileiras ainda dedicam milhares de horas anuais apenas para processos de conformidade tributária e regulatória. Para especialistas, isso gera aumento de custos, redução de produtividade e perda de competitividade frente a empresas estrangeiras que operam em ambientes tributários mais simplificados.
Segundo Lucas Congo, empresas que deixam de investir em planejamento tributário acabam “exportando impostos”, tornando seus produtos menos competitivos no mercado internacional.
“A inteligência tributária precisa deixar de ser vista apenas como uma obrigação contábil. Hoje ela é uma ferramenta estratégica diretamente ligada à margem, preço final e capacidade de expansão internacional das empresas”, afirma.
Entre os mecanismos mais relevantes apontados pelo mercado estão regimes como Drawback, Recof Sped, Ex Tarifário e incentivos estaduais de ICMS, que podem gerar ganhos relevantes de eficiência operacional e financeira quando utilizados de forma estratégica.
Atraso tecnológico também compromete produtividade
Outro ponto destacado no estudo é o atraso de parte da indústria brasileira na adoção de tecnologias ligadas à Indústria 4.0.
Apesar do crescimento dos investimentos em inovação previstos para 2026, especialistas avaliam que grande parte das empresas brasileiras ainda opera entre modelos industriais considerados intermediários, com baixa integração digital e pouca utilização de inteligência de dados nos processos produtivos.
Para Lucas Congo, a digitalização deixou de ser uma tendência e passou a ser um fator essencial de sobrevivência competitiva.
“Hoje competitividade internacional não depende apenas de preço ou produto. Eficiência operacional, análise de dados, velocidade de resposta e tecnologia passaram a ser fatores decisivos”, destaca.
Segundo ele, empresas que conseguirem integrar inteligência operacional, gestão tributária e digitalização terão vantagem competitiva relevante nos próximos anos.
Nova fase exige mudança de mentalidade
A avaliação do especialista é que o Brasil vive um momento de transição importante no comércio exterior e na indústria nacional. Para ele, as empresas que continuarem operando apenas no modelo tradicional tendem a enfrentar mais dificuldades em um ambiente global cada vez mais técnico, integrado e competitivo.
“O mercado internacional está exigindo empresas mais preparadas, mais eficientes e mais estratégicas. O empresário brasileiro precisa sair da lógica da sobrevivência operacional e entrar na lógica da construção competitiva global”, conclui Lucas Congo.

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