terça-feira , 4 agosto 2026
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Relógios de luxo: por que alguns preservam valor e outros não?

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Renan Bastos explica por que determinadas referências conseguem manter seu valor ao longo dos anos, enquanto outras sofrem desvalorização logo após a compra.

O mercado de relógios de luxo vem atraindo cada vez mais a atenção de colecionadores e pessoas de alto patrimônio. Além da tradição e da exclusividade, algumas referências conquistaram reputação por preservar valor ao longo do tempo, despertando o interesse de quem busca unir paixão pela alta relojoaria e uma compra mais racional.

Isso não significa, porém, que qualquer relógio de luxo apresente esse comportamento.

Segundo Renan Bastos, fundador e CEO da RC Crown e especialista no mercado internacional de relógios de luxo, um dos erros mais comuns é acreditar que o prestígio da marca, por si só, garante a preservação de valor.

“O mercado não analisa apenas a marca. Ele analisa referências específicas. Dentro da mesma fabricante existem modelos com excelente liquidez e outros que apresentam um comportamento completamente diferente.”

O que faz um relógio preservar valor?

Ao contrário do que muitos imaginam, a retenção de valor é resultado da combinação de diversos fatores.

Oferta limitada, demanda consistente, liquidez internacional, histórico de negociações e relevância da referência entre colecionadores são alguns dos principais elementos observados pelo mercado.

Modelos como o Rolex Daytona, Rolex Submariner, Patek Philippe Nautilus, Audemars Piguet Royal Oak e algumas referências da Richard Mille costumam reunir essas características, motivo pelo qual permanecem entre os relógios mais desejados do mercado secundário.

Segundo Bastos, o diferencial está justamente na capacidade que essas peças possuem de continuar despertando interesse mesmo anos após seu lançamento.

“Algumas referências conseguem atravessar diferentes ciclos econômicos mantendo uma demanda consistente em diversos países. É isso que o mercado observa.”

Hype não é o mesmo que valorização

A popularidade de um relógio pode aumentar rapidamente quando uma celebridade aparece usando determinado modelo ou quando uma referência ganha destaque nas redes sociais.

No entanto, Bastos explica que movimentos de hype não devem ser confundidos com valorização sustentável.

“Movimentos de hype podem elevar rapidamente o preço de uma referência, mas isso não significa necessariamente uma valorização consistente. Muitas vezes, quando o entusiasmo diminui, o preço volta para níveis mais próximos da realidade do mercado.”

Segundo ele, a valorização verdadeira acontece ao longo do tempo e depende principalmente do equilíbrio entre oferta e demanda.

Quando uma referência possui disponibilidade limitada e continua sendo procurada por compradores em diferentes mercados internacionais, essa pressão tende a sustentar seu valor.

Em outros casos, o relógio pode não ser necessariamente raro, mas apresentar uma demanda tão forte que absorve continuamente a oferta disponível. Esse comportamento ajuda a manter os preços estáveis e pode favorecer uma valorização gradual, especialmente quando as próprias manufaturas realizam reajustes periódicos em seus preços de varejo.

Liquidez faz toda a diferença

Outro fator importante é a liquidez.

Um relógio pode ter um preço elevado, mas encontrar poucos compradores. Já determinadas referências são negociadas diariamente entre distribuidores, revendedores e colecionadores espalhados pelos principais mercados do mundo.

Segundo Bastos, esse aspecto costuma ser negligenciado por muitos compradores.

“Não basta olhar apenas para o preço. É importante entender se existe um mercado ativo para aquela referência. Liquidez significa a capacidade de vender um relógio por um valor compatível com o mercado e em um prazo razoável.”

Preço anunciado não é valor de mercado

Outro equívoco comum é utilizar anúncios publicados na internet como referência para determinar quanto um relógio realmente vale.

Segundo Renan Bastos, muitas pessoas confundem preço anunciado com valor de mercado.

“Um relógio pode estar anunciado por US$ 100 mil, mas as negociações reais acontecerem por US$ 90 mil. Da mesma forma, um modelo muito comentado pode apresentar baixa liquidez, enquanto outro, menos popular, encontra compradores rapidamente. O mercado é definido pelas transações que realmente acontecem, não apenas pelos valores publicados.”

Essa diferença faz com que a análise do mercado vá muito além da consulta a plataformas de venda. Compreender liquidez, disponibilidade e histórico de negociações tornou-se parte essencial da avaliação de qualquer referência.

Comprar bem continua sendo o mais importante

Para Bastos, quem pretende adquirir um relógio de luxo deve concentrar sua atenção menos na tentativa de prever qual será o próximo sucesso do mercado e mais na qualidade da compra realizada.

Além do preço, fatores como autenticidade, procedência, estado de conservação, documentação original e histórico de manutenção influenciam diretamente o comportamento da peça ao longo do tempo.

“O relógio mais barato nem sempre representa o melhor negócio. Uma peça completa, bem conservada e adquirida de uma fonte confiável costuma oferecer muito mais segurança para quem pensa no longo prazo.”

Mais do que identificar quais relógios preservam valor, compreender por que determinadas referências conseguem manter sua relevância continua sendo um dos principais diferenciais para quem deseja conhecer melhor o mercado da alta relojoaria. Para especialistas, tradição, liquidez, demanda consistente e escassez seguem sendo os pilares que sustentam o valor de longo prazo das peças mais desejadas do mundo.

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