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Parcelar relógio de luxo pode fazer consumidor pagar até 50% acima do valor de mercado

Renan Bastos, especialista no mercado internacional de relógios de luxo, explica por que o preço à vista deve ser a principal referência antes da compra

O parcelamento faz parte da rotina de consumo no Brasil. Em compras de maior valor, dividir o pagamento em várias vezes pode parecer uma forma mais confortável de fechar negócio. No mercado de relógios de luxo, porém, essa facilidade pode esconder uma diferença importante entre o preço da peça e o custo total da operação.

Segundo Renan Bastos, fundador e CEO da RC Crown e especialista no mercado internacional de relógios de luxo, esse é um ponto que muitos consumidores não observam antes de comprar.

“Às vezes, a pessoa olha para a parcela e pensa que está fazendo um bom negócio porque aquele valor cabe no orçamento. O problema é que ela não percebe quanto está pagando no total e quanto daquele preço está relacionado ao parcelamento.”

Na avaliação de Renan Bastos, o consumidor deveria sempre conhecer primeiro o valor à vista praticado no mercado antes de decidir se vale a pena parcelar.

O valor da parcela pode esconder o preço real

Segundo a experiência de Renan Bastos no setor, o parcelamento é muito mais comum no Brasil do que em grandes centros internacionais de negociação de relógios de luxo, especialmente nos Estados Unidos, onde boa parte das operações profissionais ocorre à vista.

No mercado brasileiro, alguns revendedores oferecem parcelamento em até dez vezes, mas podem incorporar uma margem significativa ao preço final para viabilizar essa condição.

“Existem casos em que o valor parcelado fica 30%, 40% ou até 50% acima do preço que aquela peça estaria sendo negociada à vista. A pessoa olha para a parcela, acha confortável e não percebe o tamanho da diferença no valor total”, explica Renan Bastos.

Para ele, o problema não é o parcelamento em si, mas a falta de comparação com o preço real da peça à vista.

Um relógio de R$ 100 mil pode custar R$ 150 mil ou mais

Renan Bastos usa um exemplo para mostrar como essa diferença pode aparecer na prática.

Um relógio cujo valor no mercado profissional esteja próximo de R$ 100 mil pode ser oferecido ao consumidor por R$ 150 mil ou R$ 160 mil em uma operação parcelada.

Dividido em dez vezes, o valor mensal pode parecer administrável para um comprador de alta renda. Mas o custo total da compra continua muito acima da referência de mercado.

“O consumidor pensa na parcela, mas deveria pensar primeiro no preço do relógio. Se uma peça vale perto de R$ 100 mil e você está pagando R$ 160 mil, precisa entender exatamente por que existe essa diferença”, afirma.

Essa análise se torna ainda mais importante para compradores que se preocupam com preservação de valor.

Mercado profissional trabalha com preço à vista

No mercado internacional, revendedores especializados costumam avaliar relógios a partir dos valores efetivamente praticados em negociações à vista.

Por isso, uma condição comercial oferecida no Brasil não necessariamente acompanha a peça quando ela volta ao mercado.

Segundo Renan Bastos, é importante separar duas coisas: o valor do relógio e o custo da forma de pagamento.

“O mercado não vai avaliar quanto você pagou parcelado. Ele vai olhar quanto aquela referência vale naquele momento, qual é a condição da peça, a liquidez e quanto compradores profissionais estão dispostos a pagar.”

Isso significa que o consumidor pode pagar um prêmio elevado pela conveniência de parcelar sem que esse valor adicional seja incorporado ao preço do relógio.

Parcelamento não significa valorização da peça

Outro erro é imaginar que, por ter pago um valor maior, o relógio automaticamente passou a valer mais.

O preço pago pelo consumidor e o valor de mercado são coisas diferentes.

Condição, ano, documentação, procedência, demanda e liquidez continuam sendo os principais elementos observados em uma negociação profissional.

“Se você paga 40% ou 50% acima por causa da condição comercial, isso não significa que o relógio passou a valer 40% ou 50% a mais. Esse custo não acompanha a peça”, explica Renan Bastos.

Por isso, quem pretende preservar parte relevante do capital aplicado em um relógio precisa observar o preço de entrada.

Comparar o preço à vista deveria ser o primeiro passo

Antes de fechar uma compra parcelada, Renan Bastos recomenda descobrir quanto a mesma referência está sendo negociada à vista no mercado.

A partir daí, o consumidor consegue calcular com mais clareza quanto está pagando pela peça e quanto está pagando pela facilidade financeira.

“O primeiro número que a pessoa deveria descobrir é o preço à vista. Depois ela compara com o parcelado e decide conscientemente se aquela diferença vale a pena para ela.”

Essa análise não significa que todo parcelamento seja necessariamente ruim. Existem situações em que o consumidor pode preferir preservar caixa ou aceitar um custo adicional pela conveniência.

O alerta está em fazer isso sem conhecer a diferença.

Compra de luxo também exige racionalidade financeira

Para Renan Bastos, o fato de um relógio ser um produto de luxo não significa que o comprador deva ignorar critérios financeiros básicos.

Mesmo consumidores com alto poder aquisitivo podem pagar valores muito acima do mercado simplesmente porque concentraram a atenção na parcela.

“O luxo não elimina a necessidade de fazer conta. Uma pessoa pode amar um relógio e decidir pagar mais por ele. O importante é saber que está pagando mais e entender exatamente quanto.”

No mercado internacional de relógios de luxo, onde determinadas referências podem custar dezenas ou centenas de milhares de dólares, pequenas diferenças percentuais já representam valores relevantes.

Quando essa diferença chega a 30%, 40% ou 50%, o impacto pode ser ainda maior.

Antes de perguntar em quantas vezes, descubra quanto custa à vista

Para Renan Bastos, a principal recomendação é simples: antes de perguntar em quantas vezes o relógio pode ser parcelado, o consumidor deveria perguntar quanto ele realmente custa à vista.

“Quando você conhece o preço real primeiro, consegue decidir se o parcelamento faz sentido. O problema começa quando a parcela vira a referência e o valor do relógio fica em segundo plano.”

Sobre Renan Bastos

Renan Bastos é fundador e CEO da RC Crown e especialista no mercado internacional de relógios de luxo, atuando no segmento e acompanhando as dinâmicas de preços, liquidez e negociação de relógios de alto padrão.

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